Concentrando-se na análise de um trecho de Machado de Assis, o artigo discute a importância da repetição estratégica de palavras na escrita, sugerindo que, ao ler com um lápis de cor, é possível identificar e entender melhor como essa técnica contribui para expressar ideias e emoções. A repetição, longe de ser sempre um erro, pode ser transformada numa ferramenta estilística essencial, que aprimora a narrativa e a argumentação.
Ilhas dos mares arábigos (por Álvaro Cunqueiro)
Trecho em língua galego-portuguesa (na grafia reintegracionista moderna), conforme transcrito no livro Método Prático de Língua Galego-Portuguesa, do professor José-Martinho Montero Santalha (p.180) Ilhas dos mares arábigos (Álvaro Cunqueiro) Gutor, Babarom e Taprobana som três ilhas que nom hai, e estám entre Bengala e ilha Java. Gutor nunca se viu, e nom se sabe quem … Continue lendo Ilhas dos mares arábigos (por Álvaro Cunqueiro)
Como os da Mesa Redonda houverom da graça do Santo Graal (trecho da “Demanda do Santo Graal”, manuscrito português do séc. XV)
NOTA DO SITE: O trecho a seguir apresenta duas camadas de dificuldade. A primeira é a distância entre a língua atual e o [galego-]português quatrocentista, com suas peculiaridades ortográficas e morfossintáticas. A segunda é a apresentação do texto, que segue à risca as características do manuscrito-base, numa edição "diplomática" (= que busca reproduzir com exatidão … Continue lendo Como os da Mesa Redonda houverom da graça do Santo Graal (trecho da “Demanda do Santo Graal”, manuscrito português do séc. XV)
O lavrador da arada (ou: Devota caluniada) – Romance tradicional português
No alto daquele ermo está uma bela ermida, 2 está uma devota nela, serva da Virgem Maria. Uma vizinha da porta um testemunho lhe erguia, 4 ela que andava de amores c` um sacerdote de missa. Sacerdote apaixonado, ela paixão não na tinha. 6 Vem no marido de fora. … Continue lendo O lavrador da arada (ou: Devota caluniada) – Romance tradicional português
NMA – Sequer, nem sequer
"Sequer" é um advérbio de intensidade que deve ser usado apenas em orações já negativas. Usá-lo em contextos positivos é um erro gramatical, conforme explica Napoleão Mendes de Almeida.
[Curtos] Faulkner: experiência, observação e imaginação
Entrevistador: Até que ponto seus escritos são baseados em experiência pessoal? WILLIAM FAULKNER: Não sei dizer. Jamais fiz as contas. Um escritor precisa de três coisas — experiência, observação e imaginação — duas das quais e, às vezes, qualquer uma delas, podem suprir a falta das demais. Comigo, em geral a história começa com uma … Continue lendo [Curtos] Faulkner: experiência, observação e imaginação
R – 23. Rerum Novarum, do Papa Leão XIII
O início do papado de Leão XIV pareceu-me boa ocasião para compartilhar aqui uma resenha da encíclica Rerum Novarum de Leão XIII (1891), que publiquei na Amazon no ano do centésimo trigésimo aniversário desse importante documento da Igreja Católica Romana. Transcrevo o texto de 2021 sem alterações substanticais. Doutrina Social da Igreja Católica - Origens … Continue lendo R – 23. Rerum Novarum, do Papa Leão XIII
P – 13. “Bastante” ou “Bastantes”?
"Coma bastante frutas"? "Melhor será comer bastantes frutas. Bastante só não varia quando é advérbio" — diz o Sacconi no seu livrinho 1000 erros de português da atualidade. Mas o fato é que a tentação de escrever "coma bastante frutas" é frequente e nos convida a um olhar mais detido sobre os sentidos e funções … Continue lendo P – 13. “Bastante” ou “Bastantes”?
[Curtos] Camões, o libertador
Camões não foi propriamente o criador do português moderno, porque essa nova linguagem escrita já vinha empregada por outros escritores. Libertou-a, sim, de alguns arcaísmos e foi um artista consumado e sem rival em burilar a frase portuguesa, descobrindo e aproveitando todos os recursos de que dispunha o idioma para representar as idéias de modo … Continue lendo [Curtos] Camões, o libertador
[Curtos] A mais alta expressão de nossa literatura
Constituem os ‘Lusíadas’ a mais alta expressão de nossa literatura. O estudo da sua composição, do estilo do autor, das qualidades, dos recursos literários de que lançou mão, dos possíveis descuidos do poeta, dos modelos deixados pela sua genialidade, tudo isso exige do filólogo acabado conhecimento do que hoje se chama estilística, da arte da … Continue lendo [Curtos] A mais alta expressão de nossa literatura
[Curtos] O povo é um clássico também
Trechos do livro "A linguagem de Camilo", de Cláudio Basto "Os termos — jorrantes, sem qualquer esforço, de tão fértil e célere caneta, acorridos de origens múltiplas — são claramente combinados, claramente doseados, de modo que da prosa do Escritor, embora uma ou outra palavra não seja conhecida, ressalta sempre a transparência do sentido." (p.14) … Continue lendo [Curtos] O povo é um clássico também
[Curtos] Corte toda a literatura, e a coisa vai
"Meu pequeno Sim, não é isso. É quase isso, mas não é isso. Você é por demais literário. Nada de literatura! Corte toda a literatura e a coisa vai." [...] Simenon jamais esquecerá a sugestão de Colette. A partir daquele dia em que ele recomeçou a escrever seus contos, até o fim de sua vida … Continue lendo [Curtos] Corte toda a literatura, e a coisa vai
[Curtos] Evitar as frases feitas
É preciso, portanto, evitar as frases feitas. Quando estas se apresentarem, e isso acontecerá, rejeite-as. Expresse com clareza seu pensamento e você descobrirá que, para isso, é preciso uma nova frase, criada palavra por palavra. A sua arte consiste, simples e naturalmente, em criar essas frases. Arnold Bennett, Como se tornar um escritor: um guia … Continue lendo [Curtos] Evitar as frases feitas
[Curtos] Hemingway: trabalho e inspiração
E.H.: Quando estou trabalhando num livro ou num conto, escrevo todas as manhãs, tão cedo quanto possível, logo que alvorece. Não há ninguém para perturbar-nos, é fresco ou frio, e a gente se entrega ao trabalho e vai-se aquecendo à medida que escreve. Leio o que escrevo [escrevi] e, como sempre paro quando sei o … Continue lendo [Curtos] Hemingway: trabalho e inspiração
P’ – IV. As pancadas de Luís Delfino e Fernando Pessoa
Dias atrás conversamos sobre a ordem das palavras na frase, analisando um exemplo que espero tenha fixado de vez, para a maioria dos leitores, a utilidade do conceito de hipérbato (inversão). Vimos então como a reorganização dos elementos da frase serviu para um incremento de sentido, porquanto o autor estabelecia uma topologia de afastamento e … Continue lendo P’ – IV. As pancadas de Luís Delfino e Fernando Pessoa















