7.1 Livros lidos
Logo no primeiro texto deste blog, escrevi sobre a importância de manter uma relação de livros lidos — e não apenas o tradicional checklist de livros a ler. Volto hoje ao assunto.
Quando terminar de ler um livro, anote em uma lista o autor e o título (também a edição e o tradutor, se for o caso). Indique na mesma tabela quando leu e onde encontrar as anotações sobre o livro: “no próprio livro”, ou “caderno 26”, ou “fichas – caixa C”, ou “notas digitadas e salvas na pasta x”. Se esses apontamentos de leitura estão num arquivo da nuvem e a lista em outro (como esta planilha aqui), a própria célula pode conter um link para as notas.
Mesmo que não tenha anotado nada durante a leitura, a última coluna da planilha poderá abrigar um resumo do enredo ou dos argumentos do livro, e um esboço de apreciação. Também pode ser o espaço de indicar uma impressão forte que a obra tenha deixado, como: “preciso ler DANTE” ou “vale a pena RELER com calma” ou “WILDE foi uma decepção”.
A mesma estrutura de planilha pode ser duplicada para controlar a leitura de artigos e capítulos, com as adaptações que forem convenientes.
7.2. Índice dos diários
Se você não tem o hábito de escrever, comece a adquiri-lo comprando um caderno pautado, espiralado e com capa dura, e fazendo dele um diário de escritos. Quem já escreve diariamente ou com frequência poderá beneficiar-se de uma planilha de controle parecida com aquela de livros lidos, mas voltada à organização dos originais registrados em cadernos e diários. Clique aqui para dar uma olhada em um modelo.
As propostas podem ser semelhantes, porém sugiro que o método de preenchimento seja diferente. Enquanto a lista de livros lidos deve ser preenchida tão logo terminamos a leitura, o índice dos manuscritos será preenchido em blocos, num momento específico de “revisitação” daquilo que foi produzido lá atrás.
Eu escrevo em meu diário quase todos dos dias, sobre os mais diversos assuntos, sem segregar projetos diferentes em cadernos diferentes. Tudo vai no mesmo diário, com um título curto e a data no topo da página.
Insistirei sempre no uso da data, porque esse é o sistema de referências mais simples e útil que existe em se tratando de manuscritos autorais. Na hora de indicar onde está determinado texto, basta escrever “Diário II, 1º/4/19”, e é o quanto basta. Muito mais fácil do que numerar página por página, e tem ainda a vantagem de você saber de plano a época em que o texto foi escrito.
Terminando o mês — ou o caderno, se não for muito grosso — abra a planilha e escreva, uma linha por vez
- na coluna B o número do diário,
- na coluna C a data,
- na coluna D o título, e
- nas colunas E e F outras palavras-chave.
Caso um manuscrito seja particularmente bom, aproveite para pintar a linha de amarelo, destacar a fonte em vermelho ou incluir uma palavra chave como “ÓTIMO” ou “ATENÇÃO” — padronize! E se um dia aquele texto for digitado na nuvem ou publicado online, gaste dois minutinhos para marcá-lo como “DIGITADO” e incluir um link para a versão mais recente.
Não conheço quem mantenha seu diário, seus “primeiros jatos”, em um arquivo de texto, mas num tal sistema a regra se manteria. Organize-se pelas datas. Crie um sumário, ou gere-o automaticamente, aproveitando a hierarquia dos “Títulos” (Headings) do Word ou do Google Docs. Padronize algumas palavras-chave, a serem incluídas na linha abaixo do título. Crie, se quiser, seus símbolos — uma estrela ★/⭐ após a data é um sinal claro de que aquele texto está entre os diletos, e tal marca aparecerá nos sumários automáticos também.
7.3. Conclusão
Quando a rotina de trabalho envolve produção acumulada e longos períodos de maturação, como é na vida de estudos, você precisa ajudar a si mesmo. Se no futuro — pode ser daqui a um mês, pode ser daqui a dois anos — você quiser localizar um texto ou um conjunto de anotações, muito oportuno há de ser um resumo ordenado e pesquisável de tudo quanto rascunhou e fichou nos últimos anos, de preferência com boas “pistas” para seu “eu futuro”. É por isso que vim sugerir esses dois modelos de lista.
Todos os escritos deste blog nasceram em diários, mas lá estão entremeados de muitos outros esboços, rascunhos e esquemas, sobre assuntos completamente diferentes — cenas do cotidiano, planos de estudo, meditações religiosas, poemas inacabados etc.. Quando faço o índice dos diários, busco marcar com as palavras-chave “Dicas de Estudo” e colorir de verde claro as células com aqueles títulos que podem, um dia, vir parar nesta série do ‘blog’; com verde escuro eu pinto os textos já publicados. Desse modo, revisitando continuamente o índice de meus diários, tenho como organizar muito bem a escolha dos textos que pretendo
- digitar,
- imprimir para revisar,
- emendar,
- reler em voz alta, e
- publicar.
Concluindo: Se você registrar o que leu e o que escreveu, poderá criar um mapeamento em rede de suas notas e rascunhos, ampliando a conectividade entre informações, diminuindo o tempo de pesquisa, e retirando um fardo de sua memória — que poderá ocupar-se, então, no decorar mais monólogos de Shakespeare ou sonetos de Camões.
7.4. Pós-escritos
P.S. 1: Todos os documentos que disponibilizo via Drive podem ser aproveitados por quem tiver conta Google. Basta clicar no menu “File” e em seguida na opção “Copy to my Drive” — ou algo similar.
P.S. 2: De tempos em tempos, tente perguntar-se o seguinte: “Caso eu venha a morrer ou perder a memória, que produções minhas, que papéis inéditos quero que fiquem preservados? Quais são e onde estão os meus ‘trabalhos que podem valer alguma coisa’?”
Faça a lista. Indique nela onde os documentos estão. Se houver senhas no meio do caminho, anote-as também, discretamente. Deixe o cônjuge ou um bom amigo saber que essa lista existe. Em nenhum momento pense se ela será ou não levada a sério.
Grande abraço e bons estudos.
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