NMA – Lista de autores recomendáveis, segundo Napoleão Mendes de Almeida

Gramática Metódica da Língua Portuguesa, §911
(Conclusão do Capítulo LX – Período)

A clareza e a elegância do período dependem da boa colocação das orações que o formam. O espírito disciplinado e o traquejo literário na leitura dos bons autores dispensam as regras, aliás pouco seguras, que se possam dar[1] sobre o assunto.

Crendo oportuna a ocasião, aqui oferecemos ao aluno uma lista de autores recomendáveis pela harmonia e concatenação das orações bem como pelo conhecimento de vasto e erudito vocabulário, mencionando ao mesmo tempo algumas de suas obras.

  • BERNARDIM RIBEIRO, clássico quinhentista (1482-1562):
    • “Menina e Moça”, poema lírico em prosa, em que o autor, em linguagem castiça e harmoniosa, mostra toda a suavidade e carinho no contar melancólico de seus amores infelizes.
  • Luís Vaz de CAMÕES, clássico quinhentista (1524-1580), a maior expressão do Gênio português:
    • “Lusíadas”, uma das grandes epopéias da literatura universal.
  • Padre Antônio VIEIRA, clássico seiscentista (1608-1697), de estilo vivíssimo, descrições cheias de colorido, de propriedade, de riqueza e adjetivação muito segura:
    • “Sermões”.
  • Padre Manuel BERNARDES, clássico seiscentista (1644-1710), autor de linguagem pura e harmoniosa, majestosa e opulenta, de períodos maravilhosamente elegantes, bem feitos e melodiosos:
    • “Nova Floresta”,
    • “Luz e Calor”.
  • J. B. da Silva Leitão de Almeida GARRETT, romancista (1799-1854), de estilo colorido e ao mesmo tempo espontâneo:
    • “Frei Luís de Sousa”,
    • “Viagens na Minha Terra”,
    • “Folhas Caídas”,
    • “Flores sem Fruto”.
  • ALEXANDRE HERCULANO de Carvalho e Araújo, romancista (1810-1877), modelo dos que se dedicam a descrições, de estilo sóbrio e a um tempo vigoroso e de linguagem pura: 
    • “Lendas e Narrativas”,
    • “Eurico, o Presbítero”,
    • “O Monge de Cister”,
    • “O Bobo”,
    • “A Harpa do Crente”.
  • Antônio Feliciano de CASTILHO (1800-1875), de linguagem pura, variada, elegante e abundante: 
    • “Poesias”;
    • Várias traduções:
        • Ovídio,
        • Anacreonte,
        • Virgílio,
        • Molière,
        • Shakespeare,
        • Goethe.
  • CAMILO Castelo Branco, romancista (1826-1890), de propriedade e variedade assombrosas, de estilo admiravelmente seguro e enérgico:
    • “Amor de Perdição”,
    • “Amor de Salvação”,
    • “A Corja”, 
    • “Eusébio Macário”.
  • José Maria EÇA DE QUEIRÓS, romancista naturalista (1845-1900), de estilo nem sempre puro, mas flexível e irônico: 
    • “O Crime do Padre Amaro”, 
    • “O Primo Basílio”,
    • “O Mandarim”
    • “Os Maias”,
    • “A Relíquia”.
  • Abílio Manuel de GUERRA JUNQUEIRO, poeta satírico e mordaz (1850-1923):
    • “Os Simples”,
    • “Orações”.
  • Antônio GONÇALVES DIAS, poeta indianista (1829-1877), o maior poeta lírico brasileiro:
    • “Primeiros Cantos”,
    • “Novos Cantos”,
    • “Últimos Cantos”.
  • JOSÉ DE ALENCAR, romancista indianista (1829-1877), de lirismo imaginoso e de forma brilhante:
    • “O Guarani”,
    • “As Minas de Prata”, 
    • “Iracema”, 
    • “O Tronco do Ipê”,
    • “O Sertanejo”,
    • “Mãe”.
  • Joaquim Maria MACHADO DE ASSIS, naturalista (1839-1908), clássico na linguagem e moderado na expressão:
    • “Crisálidas”,
    • “Falenas”,
    • “Histórias da Meia Noite”, 
    • “Iaiá Garcia”,
    • “Memórias Póstumas de Brás Cubas”,
    • “Quincas Borba”, 
    • “Dom Casmurro”, 
    • “A Mão e a Luva”.
  • RAIMUNDO da Mota Azevedo CORREIA, poeta parnasiano (1860-1911), de espírito pessimista, mas claro e discreto, o maior ourives dos ourives parnasianos:
    • “Primeiros Sonhos”,
    • “Sinfonias”, 
    • “Poesias”.
  • Antônio Mariano ALBERTO DE OLIVEIRA, grande poeta — foi poeta a vida inteira (1859-1937) — desde os 14 anos revelou sentimento e entusiasmo, vigor e opulência, melancolia e paixão, malícia e ironia:
    • “Canções Românticas”,
    • “Meridionais”,
    • “Sonetos e Poemas”,
    • “Versos e Rimas”,
    • “Céu, Terra e Mar” e muitas outras obras.
  • OLAVO Brás Martins dos Guimarães BILAC, poeta parnasiano (1865-1918), de versos impecáveis e espontâneos, de imagens e expressões brilhantemente coloridas: 
    • “Via Láctea”,
    • “Sarça de Fogo”,
    • “O Caçador de Esmeraldas”, 
    • “Alma Inquieta”.
  • EUCLIDES DA CUNHA, historiador, sociólogo, polígrafo (1866-1909), um dos maiores literatos brasileiros, de espírito observador levado ao grau sumo:
    • “Os Sertões”,
    • “Contrastes e Confrontos”,
    • “Martim Garcia”,
    • “À Margem da História”, 
    • “Peru versus Bolívia”.

NOTAS:

[1] Que se possam dar: A construção é passiva sintética e corresponde a “regras que possam ser dadas…” — portanto o “se” é pronome apassivador (GMLP, §391, maneira 2; §404). Não se deve dizer “regras que se possa dar sobre o assunto”, como se não dirá “vende-se casas”, supondo que o pronome apassivador atue aí como sujeito, tal qual o “on” francês, ou como índice de impessoalidade, coisa impossível em tal construção (GMLP, §405 e §485). V. D. QVs, “se”, onde se explicam treze funções da palavrinha. V. tb. D. QVs, “devem-se interpretar”. (N.E.)

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