— I —
Muitos entre os poucos leitores deste blog conhecerão aquele programinha de celular chamado “WhatsApp”. É um negócio usado para facilitar a comunicação cotidiana, tanto pessoal como profissional, e também para semear a discórdia entre os parentes ao compartilhar piadinhas de cunho político no grupo da família.
Alguns usuários do aplicativo verde acabam tornando-se referência em seu meio social, e passam a merecer o cognome de “Guardiões das Figurinhas”. Esses sujeitos sempre têm a figurinha perfeita para cada ocasião; são capazes de fazer uma boa troça em poucos segundos, apenas abrindo seu enorme estoque de adesivos e clicando no que mais convém àquele momento.
Para quem não sabe, as figurinhas são imagens pequenas, quadradinhas, que muita vez trazem uma frase curta como conteúdo principal ou como legenda. O desenho de uma xícara de café acompanhada do texto “bom dia” é o exemplo mais fácil de uma figurinha — uma ótima forma de cumprimentar os colegas de trabalho naquela manhã em que seu mau-humor é tão grande que você nem consegue digitar uma palavra amigável. Há figurinhas de coração para mandar aos amores, figurinhas de santos para os devotos, figurinhas de gatos e de cachorros, figurinhas de time de futebol e muitas outras: frases de efeito, alusões irônicas a celebridades, trocadilhos de todos os tipos…
Para se tornar um “Guardião das Figurinhas”, o sujeito precisa cumprir três requisitos:
1º) Ele precisa realmente querer tornar-se um Guardião.
2º) Ele precisa salvar todas as figurinhas boas ou aceitáveis que encontra.
3º) Ele precisa lembrar-se das figurinhas que tem, de molde que as possa invocar rapidamente.
Como se pode ver, não é uma tarefa muito difícil. O que deve estar difícil é entender o que ela tem que ver com os assuntos deste blog. Veremos isso a seguir.
— II —
Em seu Curso Online de Filosofia — não me pergunte em que aulas — o escritor Olavo de Carvalho [¹] diz e repete a seguinte frase, depois repisada no seu diário do Facebook: “Leibniz já dizia que o sujeito que tivesse mais figurinhas na memória acabaria se revelando o mais inteligente”.
Não podemos negar que os “Guardiões das Figurinhas” revelam grande perspicácia ao oferecer respostas rápidas, adequadas e cheias de bom humor. Nosso paradigma de trabalho, neste texto, será algo muito próximo da idéia de Leibniz, e dos três requisitos que citamos um pouco acima.
Digamos que o sujeito que tiver mais figurinhas linguísticas na memória — incluídas aí as figuras de gramática, estilo e composição — acabará se revelando o escritor mais inteligente.
E digamos que, para se tornar um escritor mais inteligente, é preciso
1º) querer tornar-se um escritor mais inteligente,
2º) guardar as “figurinhas” da linguagem, e
3º) lembrar-se delas para poder invocá-las rapidamente.
O escritor terá mais facilidade em exprimir diferentes cenas, diferentes situações psíquicas e diferentes relações lógicas, quando tiver conhecido e coligido muitas formas alheias de exprimir os raciocínios, os sentimentos e as imagens.
— III —
Feita esta pequena introdução, vamos ao objetivo do presente texto, que é ampliar a coleção de figurinhas do leitor com uma boa lição de gramática.
Sim, eu disse gramática, essa palavra que assusta muita gente desde os tempos da escola. Mas fique tranquilo, porque hoje não conversaremos sobre regras e sobre erros. Ao contrário, a idéia é fazer um desfile de figuras que amplie o seu campo de possibilidades; figuras para você conhecer, avaliar, colecionar e, na hora certa, usar!
E para que as figurinhas pudessem ser verdadeiramente úteis, tentei selecionar um tema muito presente no nosso cotidiano: a idéia de “MAS”.
Você já percebeu quantas vezes usa essa palavra, ou outras afins, ao longo de um dia de trabalho ou de uma conversa informal?
O “MAS” é um sinal de tensão, de adversidade, de diferença e de superação. Na vida, as coisas poderiam ser todas harmônicas, MAS… não são! Há sempre muitas dissonâncias em nosso caminho, desvios pequenos, desvios grandes, contratempos… Algumas dessas dissonâncias servem para criar novas harmonias, outras são experimentadas tão-somente como estraga-prazeres, frustrações. Seria bom se crescêssemos a cada erro, MAS… às vezes não crescemos, paciência.
“Um abismo chama outro abismo ao ruído de tuas catadupas”, diz o salmista, “todas as tuas ondas e vagas têm passado sobre mim”. O cenário seria desolador, não fora o verso seguinte: “[MAS] de dia o Senhor ordena a sua bondade, e de noite sua canção está comigo” (Sl. 41[42]).
Essa palavra, “MAS”, é a melhor que existe para exprimir tal noção. Não adianta querer eliminá-la do vocabulário, ou criar algum tipo de superstição para favorecer o “porém”, o “entretanto” etc. Essas outras palavras têm seu momento e espaço, MAS… nem sempre é saudável invocá-las apenas para criar variedade, para cumprir uma obrigação de mudar.
Aqui precisamos entender um aspecto importante sobre estilística e repetição de palavras: nem toda a repetição é ruim ou boa, porque muitas repetições nem sequer são percebidas! Os vocábulos curtos e átonos caem com frequência neste grupo das repetições discretas. Pense no artigo “o”, por exemplo… não passa despercebido a maior parte das vezes, senão todas? Quem ousará dizer que deve ser evitado?
O uso recorrente do “mas” pode ser e pode não ser um problema. Isso dependerá de outros fatores, como a posição em que este “mas” está (sempre no início do período, com aquele “M” maiúsculo marcando presença? mau…), ou o ritmo da frase (leia o texto em voz alta!). Não devemos criar uma superstição contra essa palavra; ao contrário, devemos criar intimidade com ela, dominá-la e pô-la a nosso serviço.
Em muitos casos, porém, troca-se o “mas” para dar ao período um feitio específico. Veja-se esta mesma frase que acabo de escrever, em que coloquei um “porém” no meio do enunciado. Isso seria impossível com o “mas”, que fica sempre no começo da oração. Nessa hora, é muito útil conhecer a figurinha do “porém” e seus amigos (no entanto, contudo…).
Alguns enunciados mais complexos, com certas nuances psicológicas e temporais, podem tornar-se mais precisos com uma conjunção concessiva — uma prima da conjunção adversativa “mas”, residente em outro estado. Se queremos usar o subjuntivo, ou até uma oração reduzida, optamos por uma sintaxe um pouco mais complexa, de subordinação. Substituímos o breve, o sonoro, o ubíquo “mas”.
— IV —
Quem não se convenceu, está no seu direito. Para os que querem aumentar sua coleção de figurinhas adversativas e concessivas, passarei a citar trechos da Gramática Secundária da Língua Portuguesa, de Manuel Said Ali Ida (Melhoramentos, 1964).
Essa gramática está desatualizada em vários pontos, mas tem duas grandes qualidades:
1ª) Tratar o assunto “conjunções” (coordenativas e subordinativas) junto com a sintaxe do período (coordenação e subordinação).
2ª) Apresentar as variações e os aspectos estilísticos já dentro dos respectivos tópicos de sintaxe.
O resultado é um capítulo vitaminado sobre subordinação, cheio de exemplos e com grande variedade, o que certamente aproveitará ao amante de nosso idioma.
Sem mais, passo aos excertos. Depois retorno para falar da planilha que deixarei disponível com este material, e para passar alguns exercícios.
ADVERSATIVAS (p.133):
Para exprimir claramente a contradição ou a restrição a um fato, ou à sua consequência, socorremo-nos da oração ADVERSATIVA, caracterizando-a com a conjunção “mas” ou “porém”.
● Os meninos são inteligentes, MAS nem todos estudam.
● Deitei-me, MAS não pude adormecer.
● Todos afirmam a mesma coisa; eu PORÉM não o creio.
● Quebrou a corda, PORÉM logo a consertaram.
CONCESSIVAS (pp.138-140):
A oração CONCESSIVA exprime um fato que, podendo determinar ou contrariar a realização de outro fato principal, deixa entretanto de produzir o esperado ou possível efeito.
Esta ocorrência secundária pode ser suposta ou real, e em linguagem antiga distinguia-se pelo emprego ora do conjuntivo [subjuntivo], ora do indicativo. Hoje servimo-nos do conjuntivo [subjuntivo] para um e outro caso.
Há dois tipos de orações concessivas: SIMPLES e INTENSIVAS.
☆ As concessivas SIMPLES ou COMUNS caracterizam-se pelas conjunções ‘ainda que’, ‘ainda quando’, ‘embora’, ‘conquanto’, ‘posto que’, ‘mas que’, ‘bem que’, ‘se bem que’, ‘se bem’, ‘não obstante que’, ‘apesar de que’. A oração principal, se vier posposta, pode ser realçada com uma partícula correlativa: ‘contudo’, ‘todavia’, ‘entretanto’, ‘sempre’, ‘ainda’, ‘assim’ e outras. Exemplos:
● CONQUANTO o capitão TIVESSE muitos feridos no baluarte, determinou resistir até o fim.
● A esses, MAS QUE FENEÇAM, não podemos ouvir nem emendar (F. M. de Melo).
● AINDA QUE alguns SEJAM de obscura geração, TODAVIA são venerados e acatados (H. Pinto).
● AINDA QUE tomar este cargo SEJA contra minha vontade, CONTUDO faço-o por cumprir com a vossa (H. Pinto).
● Fica outra vez confusa a mediania que se buscava, NÃO OBSTANTE QUE está admitida sua latitude (Manuel Bernardes).
● POSTO QUE se apressasse, já não encontrou o médico em casa.
● EMBORA protestasse energicamente, SEMPRE acabou por submeter-se.
● Mais sal tem o seguinte título de outro caso lastimoso que, SE BEM não aponto o autor que o refere, passou assim na verdade (Bernardes).
☆ As CONCESSIVAS INTENSIVAS referem-se a uma qualidade ou modalidade qualquer, consideradas em grau intensivo e sem limites.
Caracterizam-se pelas expressões ‘por mais… que’, ‘por muito… que’, ou simplesmente ‘por… que’, eliminando as palavras “mais” ou “muito”:
● POR MAIS fortes QUE sejam os laços com que o amor nos prende, muitas vezes um discurso os rompe (Vieira)
● Nunca chegará ao fim, POR MAIS depressa QUE ande.
● Engolfam-se em toda a sorte de vícios, POR abomináveis QUE sejam.
● Não acha um homem malaio, POR pobre QUE seja, que queira levar às costas coisa própria ou alheia (Lucena).
Tratando-se dos adjetivos ‘grande’, ‘bom’, ‘mau’, empregam-se, em lugar de “por mais… que”, as formas ‘por maior que’, ‘por melhor que’, ‘por pior que’:
● POR PIOR QUE seja a carreira que abraçaste, sempre é preferível a levar vida ociosa.
● Navio algum governado por ele se perderia, POR MAIORES QUE fossem as tempestades que contra ele se conjurassem (Vieira).
Nas expressões ‘por mais que’, ‘por muito que’, ‘por pouco que’, usadas sem interposição de adjetivos ou advérbios, as palavras “mais”, “muito”, “pouco” modificam o verbo que vem depois:
● POR MAIS QUE o contentamento nos EXTASIE, nunca nos deixa em estado de não sentir (Matias Aires).
● POR POUCO QUE SUBISSSE o terrapleno, ficaria igual ao muro.
● POR MUITO QUE PROCURE semear o joio no meio do trigo, sempre montam mais os bens que o Senhor cria e conserva (Lucena).
● Mostrou-se inflexível, POR MAIS QUE eu o IMPORTUNASSE.
A conjunção da oração concessiva comum pode achar-se reduzida à simples partícula ‘que’ ou ‘quando’, contanto que o verbo esteja no conjuntivo [subjuntivo]:
● Filho, essas coisas são leves e, QUE FOSSEM graves, é certo que ainda têm remédio (Bernardes).
● E QUANDO desse cuidado e trabalho COLHAM fruto, esse, quando menos, ficará onde nasceu (Vieira).
Ao servirmo-nos do simples vocábulo ‘que’, damos geralmente preferência à construção inversa, iniciando a oração por um termo predicativo ou um complemento, e pondo em segundo lugar a partícula:
● Amava-o muito e dar-lhe-ia a filha por mulher, POBRE QUE FOSSE ou de menos puro sangue.
● Pedi-lhe que comesse, POUCO QUE FOSSE (Herculano).
● CARREGADA e FEIA QUE ESTIVESSE, achar-lhe-ia a mesma formosura (Herculano).
● Acudiam as matronas a qualquer obra, SERVIL ou ARRISCADA QUE FOSSE, prontas e oportunas.
● CINCO CONTOS QUE FOSSEM, era um arranjo menor, e antes menor que nada (Machado de Assis).
● A MORTE QUE FOSSE, a morte de miséria e de fome, ficava (J. Dinis).
● VINTE LIBRAS QUE ME OFERECESSE, ainda assim não lhe cederia a minha obra.
Para significar que o acontecimento principal segue a todo o transe o seu curso e resiste decisivamente à ocorrência secundária, valemo-nos não raro da linguagem afetiva, sendo então a proposição concessiva enunciada sem conjunção e reforçada às vezes com dizeres do gênero de ‘custe o que custar’, ‘dê onde der’, ‘seja o que for’, ‘aconteça o que acontecer’ etc.:
● CAIBA a nossos corpos a sorte QUE LHES COUBER e FAÇAM seu fim no ventre das aves, não temos o que temer.
● Já não faço caso dos homens, DIGAM O QUE QUISEREM.
Outras vezes assinalamos o pensamento concessivo pondo a palavra “embora” em seguida ao verbo inicial. Nesta linguagem, passa-se de subordinação a coordenação:
● Eis o que é conforme a interpretação de Bártolo à lei do Código. DIGAM EMBORA outra coisa os que seguem diverso rumo (Herculano).
O pensamento concessivo pode ser enunciado por uma oração infinitiva, sendo o verbo regido de ‘apesar de’, ‘não obstante’, ‘sem embargo de’:
● APESAR DE NÃO TER SIDO culpa da vontade, mas do entendimento, o extravio político do autor deste livro, a divina justiça condenou-o a remir o bestial pecado (Herculano).
● NÃO OBSTANTE ESCASSEAREM os recursos, prossegue-se na obra.
● El-rei, SEM EMBARGO DE a paixão não SER pouca e a idade não SER muita, conheceu logo o enganoso toque da adulação (Bernardes).
— V —
A coleção de figurinhas faz parte da “máquina de guerra”, portanto não difere desta no que diz respeito às grandes diferenças individuais na sua formatação. Cada um escolherá as figurinhas que mais lhe interessarem, pelos critérios que mais lhe aprouverem, nos autores que mais lhe agradarem; cada um associará às figurinhas explicações, análises e palavras-chave muito pessoais. A coleção de figurinhas de uma pessoa dificilmente poderá ser bem aproveitada por outra, embora seja sempre proveitoso e recomendável trocar figurinhas com companheiros de ofício.
Guardo minhas figurinhas em uma planilha chamada “Banco de Frases”. Comigo funciona assim: Quando descubro uma boa figurinha de estilo, primeiro a copio em um caderno, que funciona como prontuário; de tempos em tempos, sento-me diante do computador para digitar de uma vez várias páginas de figurinhas, que vão para dentro do “Banco”. A cópia no caderno é apenas uma etapa intermediária e opcional; uso por praticidade, porque é chato acessar o computador no meio do dia, a cada frase nova. E se tento abrir a planilha pelo celular, corro o risco de clicar no lugar errado e bagunçar a coleção toda…
Minha primeira figurinha do “Banco” recebeu o número “1”, a segunda o “2”, e assim por diante. Depois de um tempo comecei a valer-me de um ou outro número para guardar séries inteiras de figurinhas. Assim, várias frases obtidas em uma leitura da mesma obra podem ser encaixadas nos desdobramentos de um único número: 98-A, 98-B, 98-C1, 98-C2 etc.
As figurinhas que reuni nos excertos acima entrarão na minha coleção sob o número 940, dividido não só entre letras (que representam grupos) como também em números (que representam os enunciados e exemplos de SAID ALI). Assim, tenho 940-A1, 940-A2, 940-B, 940-C1 etc. Costumo pular as letras “I” e “O” porque se não confundam com “1” (em romanos) e “0” (zero).
A verdade é que o número ou código só serve para a gente poder criar uma remissões rápidas entre as frases. No dia a dia você fará pesquisas com base em palavras-chave como “mas”, “contudo” “concessivas”, “subjuntivo”, “estilística” ou “ênfase”, podendo decidir se a busca será em uma coluna específica ou na planilha toda.
A organização das 48 figurinhas relacionadas ao presente artigo está NESTE LINK. Além das colunas com o código, a frase, a referência e a ementa (palavras-chave/ análise), você verá no final vários espaços para links. Essa é uma ferramenta interessante para que você possa interligar suas figurinhas ou até criar um acesso rápido a documentos externos que estejam online, como livros em PDF, verbetes de dicionário, artigos de um blog…
E, bom… é claro que não preciso dizer isso, mas direi mesmo assim: Fique à vontade para baixar o arquivo e extrair dele o que bem entender. Trocar palavras, deletar, inverter colunas… ou fechar depois de dois ou três cliques e dizer: esse cara é maluco!
— VI —
Encerremos com uma citação:
Nenhuma outra conjunção, das chamadas adversativas, pode pretender desempenhar o mesmo papel que mas, substituí-la nos casos acima referidos. Aliás, o grau de emprego dessas partículas é bastante diferente: o mas é de uso geral, tanto na linguagem familiar como na literária, e, apesar do seu uso, já vimos que não perdeu a sua capacidade expressiva; contudo é menos empregado na linguagem corrente; porém e todavia são conjunções limitadas ao estilo literário. Quando se usam em linguagem corrente, denotam em quem as profere snobismo e afetada vacuidade. São as conjunções nobres, empregadas pelo conselheiro Acácio, que desdenha naturalmente do trivial mas e até do contudo.
(Manuel Rodrigues Lapa, Estilística da Língua Portuguesa, cap. 15, parte 3, pp.202-203. Martins Fontes, 1988)
— EXERCÍCIOS —
1) Reescreva 5 (cinco) dos exemplos de orações concessivas, transformando-os em adversativas com “mas” e fazendo todas as alterações necessárias.
2) Avalie cada paráfrase com um comentário breve, tentando responder se a construção é boa e se houve ganhos ou perdas.
3) Tente transformar sua paráfrase com “mas” em outra concessiva, de tipo diferente do original.
NOTas
[1] Há todo um peso em mencionar o nome de Olavo de Carvalho num texto. Para muitos, é uma forma de fechar portas, cortar completamente a conexão: “Aí você foi longe demais!”. Para muitos outros, o nome é uma chave-mestra, que abre qualquer porta, janela ou postigo: “Olavo tem razão!”.
Proponho que deixemos de lado todo o ruído desses extremos (por mais alto que seja) e concentremo-nos nas idéias. Afinal, há uma quantidade enorme de questões que só poderão ser julgadas no futuro, e portanto devem ser adiadas para esse momento. Uma dessas grandes dúvidas é se os seguidores “direitistas” de Olavo nas redes sociais o estão submetendo ao mesmo processo que ele próprio descreveu no prefácio ao Volume I dos Ensaios Reunidos de Otto Maria Carpeaux (ed. Topbooks). Ou seja: se por meio da bajulação não estão ajudando a aprisionar o erudito nas questiúnculas políticas, retirando-o das áreas de concentração para as quais mais pode contribuir — tal como o O. C. austríaco acabou negligenciando mais e mais o trabalho da crítica literária, à medida que se entregava à militância política esquerdista. Esse é o tipo de dúvida que podemos formular, mas que só acha solução quando a carreira intelectual e a vida se encerram.
Respondê-lo-eis, pósteros? Provavelmente sim. Mas o que não deixa dúvida agora são as contribuições do autor que circulam em livros, em cursos ou em vídeos online, muitas delas valiosas e capazes de direcionar os estudos de milhares de brasileiros interessados em adquirir cultura superior.
É nesse espírito que trazemos a referência a Leibniz e sugerimos ao leitor: Não deixe, só por causa do nome do Olavo, de apreciar esse precioso conselho… comece agora sua coleção de figurinhas!

