R – 20. Leitura rápida e não essencial: Como estudar e como aprender, de Emilio Mira y López

☕ (I) Li “Como Estudar e Como Aprender” numa edição antiga, de biblioteca. A leitura é fácil e rápida, do tipo que se completa em um dia. O livro de Emilio Mira y López foi publicado originalmente em espanhol, e veio primeiro à língua portuguesa pela Editora Mestre Jou, num volume de 94 páginas confortáveis, com largas margens e pouco texto. A revisão antiga deixou passar alguns erros aqui e ali — na página 55, por exemplo, lê-se um medonho “atoa” onde deveria vir “à toa”. (Não sei como é a edição da Kírion, se aproveitou o texto da Mestre Jou, se fez uma tradução nova…)

☕ (II) Há ao menos três maneiras de reunir dicas de estudo. A primeira é pela experiência própria, e não tem muito mistério.

A segunda é pela observação de intelectuais eficientes e pelos depoimentos de estudiosos notáveis. É o método de que trata Jean Guiton¹ no início de seu manual; é também o utilizado em algumas passagens por A. Sertillanges².

A terceira é pela construção de uma base teórica ou empírica, investigando os fenômenos mentais, cognitivos ou cerebrais (leitura, memória, associação etc.), e extraindo deles conclusões práticas — estas inspiradas já na experiência alheia, já na criatividade do próprio autor.

Mira y López elabora seu livro pelo terceiro caminho. A ciência de que parte é a psicologia, mais precisamente a psicologia da aprendizagem. Não cita com profundidade muitos estudos, nem sempre apresenta os detalhes de sua fundamentação, mas a todo o tempo fala ancorado na ciência psicológica. 

É até interessante que cite pouco. O livro é de 1965, e de lá para cá a compreensão sobre o processamento de informações pelo sistema nervoso humano evoluiu um bocado, sobretudo com as neurociências. Assim como está, o livro dá pouco destaque a informações antiquadas, desenvolvendo de forma leve e direta suas sugestões de estudo

☕ (III) Até pela curta extensão, o livro é uma obra bastante panorâmica; tem a seguinte estrutura:

 ⬤ Parte 1 – Psicologia do estudo;

 ⬤ Parte 2 – O aprendizado;

 ⬤ Parte 3 – Textos utilizados [para estudar];

 ⬤ Parte 4 – Por que e como se esquece;

 ⬤ Parte 5 – Fadiga mental;

 ⬤ Parte 6 – Auxílio técnico ao estudante.

☕ (IV) Colhi ao longo da leitura uma dezena de dicas; abaixo resumo algumas delas, para que o leitor tenha idéia do que esperar:

  ⬤ ALTERNAR: Uma sessão de estudo não se deve prolongar por mais de duas horas; é recomendável intercalar uma pausa a cada meia hora e, se possível mudar uma ou duas vezes o material de trabalho (p.20). Também para a memorização é importante a alternância — é mais fácil decorar algo repassando-o a intervalos do que estudando-o, mesmo que longamente, uma só vez (p.67). A alternância ainda é recomendada para evitar a fadiga do trabalho (p.83). Então alterne: alterne para render mais, alterne para memorizar melhor, alterne para não se cansar tanto.

  ⬤ LUZ DO LADO ESQUERDO: A dica está presente em “A Vida Intelectual”², e aqui a encontramos novamente. A melhor iluminação para o estudo é a luz natural, como o melhor ambiente é ao ar livre. Solar ou artificial, da janela ou da lâmpada, Mira sugere que o foco da luz esteja atrás e à esquerda do estudante; que não seja ela excessivamente intensa e que não haja reflexos, halos ou sombras

  ⬤ PONHA NAS PRÓPRIAS PALAVRAS: O autor recomenda que o estudante regija suas notas só depois de assistir à aula, sem muita cópia ou consulta (p.16). Também vê enorme proveito em formular, com poucas palavras, a idéia essencial de cada parágrafo lido (p.39). «Adquira o costume de repassar mentalmente cada parágrafo assim que tiver acabado de lê-lo», sugere ele, citando G. Whipple (p.87).

  ⬤ SUBLINHADO “CONTÍNUO”: Na seção em que ensina seu método de marcar textos, Mira sugere que se sublinhem os trechos de um livro de molde que se possam ler como se fossem um texto contínuo, cada pedaço sublinhado engatando-se ao anterior e ao seguinte.

  ⬤ A NOTÍCIA RUIM: «O abuso de CAFÉ e bebidas alcoólicas é manifestamente prejudicial, e, longe de evitar a fadiga, costuma complicá-la. Em troca, um banho ligeiramente morno, seguido de fricção e massagens, costuma aliviar a sensação de cansaço.» (p.84).

 ☕ (V) CONCLUSÃO: 

O manual é curto e simples. As dicas não têm nada de excepcional, mas o modo leve com que nos são comunicadas ajuda a elevar a nota da obra, que fica com quatro estrelas. Quanto ao preço, não pague muito mais de R$20,00 (vinte reais) pelo livro, que fácil pode ser encontrado em bibliotecas, físicas ou virtuais.

 ☕ (VI) NOTAS: 

[¹] “O Trabalho Intelectual”:
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[²] “A Vida Intelectual”: 
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