R – De volta para o futuro: avaliação do Kindle Paperwhite da Amazon

Quando comprei meu Kindle Keyboard, há uns dez anos, senti que tinha viajado para o futuro: ler e-books e PDFs num aparelhinho leve, com uma tela que imita papel e não cansa os olhos… quanta modernidade!

Às vezes era até um pouco moderno demais. Não cheguei a fazer uso de certos recursos, como o navegador experimental, o player de música e as ferramentas de destaque e anotação. Preferia trabalhar com o Kindle como se fosse um livro comum, carregava sempre lápis e alguns papéis para tomar notas.

Foi só quando comecei a usar o “Kindle para PC” e o “Kindle para Android” que meu companheiro diário nas viagens de metrô passou a mostrar suas limitações. Enquanto nos aplicativos eu conseguia manter as notas sincronizadas e retomar num dispositivo a leitura interrompida noutro, o Kindle Keyboard ia-se tornando uma ferramenta quase analógica. A bateria continuava durando semanas, a tela permanecia funcionando muito bem, o software (já com década de vida) ainda travava pouco… mas meu perfil de trabalho mudara e eu precisava de mais.

Decidi então comprar o Kindle Paperwhite de 2019 (10ª geração) com 8GB de memória; foi uma decisão EXTREMAMENTE feliz. Com o novo Kindle, revivi a situação futurista que tivera na compra do primeiro — dez anos depois, vim “de volta para o futuro”.

O novo Kindle é ferramenta de trabalho da maior utilidade para acadêmicos, pesquisadores, estudantes e escritores. Aí vão algumas qualidades, e uns poucos defeitos do produto:

🔸 PRATICIDADE. O aparelho é leve e tem iluminação própria — é uma luz especial que se volta para o interior da tela e não ofende a vista. Isso resulta numa liberdade enorme para trabalhar; você consegue carregar uma biblioteca inteira do sofá até a cama, por exemplo, e ler no escuro ou com uma luz muito fraca, sem incomodar a esposa que dorme, sem precisar estar à mesa de trabalho com uma pilha de livros.

🔸 EFICIÊNCIA. As notas de leitura podem ser tomadas no próprio Kindle; quando o usuário retira o aparelho do modo avião, ele as sincroniza com todos os seus outros dispositivos. Assim, seus sublinhados e anotações estarão disponíveis no “Kindle para PC”, no “Kindle para Android” e ainda no endereço 🔗https://read.amazon.com/notebook🔗, que armazena todos os seus “cadernos”. A qualquer momento é possível enviar as notas a si mesmo por e-mail, em formato PDF e CSV (planilha).

(N.B.: Isso funciona apenas com e-books comprados diretamente na Amazon. Com PDFs e demais arquivos externos, os destaques e notas NÃO sincronizam, nem podem ser exportados automaticamente. Há alguns sites que ajudam a fazer essa extração, porém não com a mesma eficiência.)

🔸 ADAPTABILIDADE. O Kindle permite que você escolha o tamanho e o formato da fonte, o espaçamento entre linhas, a amplitude das margens e a intensidade da iluminação (mais de 15 níveis). O livro pode ser lido nas orientações retrato e paisagem, ou seja, com o Kindle deitado ou em pé.

🔸 PELÍCULA E CAPINHA. Considero desnecessário e até prejudicial à experiência de leitura aplicar película à tela. Uma boa capinha, porém, é fundamental para proteger o dispositivo contra quedas e riscos. Ademais, o sensor magnético da capa coloca o Kindle automaticamente em modo de descanso, desativando a iluminação e poupando a bateria quando o fechamos. Há também como desligar o Kindle, segurando o botão — o único botão — por alguns segundos, mas não é algo necessário para quem lê mais de uma vez na semana; basta o modo de descanso. Minha recomendação de capa é esta:

🔗https://www.amazon.com.br/review/R10J0B8D4E0ZZJ/ref=cm_cr_srp_d_rdp_perm?ie=UTF8🔗  

🔸 BATERIA. A bateria dura bastante, ainda mais se o aparelho for mantido no modo avião. Utilizo o Kindle mais de uma hora por dia, e só tenho precisado recarregá-lo a cada duas semanas. A bateria do velho Kindle Keyboard durava um pouco mais, mas o coitado pensava menos…

🔸 TOUCHSCREEN. E falando no meu primeiro Kindle, a foto deixará ver que ele tinha mais de trinta botões — dois de cada lado da tela, para avançar e voltar a página; um para ativar/desativar o aparelho; e um teclado com todas as letras do alfabeto mais as teclas de “espaço”, “delete” etc. ISSO ACABOU. O Kindle Paperwhite tem um só botão, para descansar/desligar/reiniciar; todo o restante funciona mediante toques na tela. Demorei um pouco para pegar o jeito de virar páginas no “touch”, mas o esquema indicado pela Amazon no manual do usuário é exato; basta assimilá-lo.

🔸 EBUQUIZAÇÃO. Neologismo meu, de muito mau gosto, para dizer que o usuário pode facilmente converter um PDF em e-book. Basta enviá-lo para o endereço de e-mail associado ao seu Kindle — ele é gerado automaticamente e aparece durante a configuração do aparelho. Colocando “convert” no título da mensagem, o arquivo será automaticamente convertido, permitindo que o usuário desfrute de todos os recursos de personalização (tamanho da fonte, margens etc.). Arquivos em formato “.DOC” e similares não precisam sequer ser convertidos. Ainda uma vez registro que, para tais livros externos ao site da Amazon, não se aplicam os recursos de sincronização e exportação de notas que mencionei mais acima.

🔸 DIGITAÇÃO E ESCRITA. Este é um ponto fraco do Kindle. Embora o trabalho com as anotações seja muitíssimo eficiente, é um tanto chato FAZER as anotações. Isso porque quando você digita, o sistema demora um pouco para processar as letras, há um pequeno delay, possivelmente consequência de dois recursos: o “kerning” (um detalhezinho visual nos caracteres) e o autocompletar (à medida que vamos escrevendo, surgem na tela sugestões de palavras). Quando a essa pequena demora soma-se a dificuldade de pilotar o alfabeto “touch” (as teclas pequenas não ajudam), surge o ÚNICO defeito relevante que até agora posso apontar no novo Kindle: perco mais tempo do que gostaria digitando as anotações. Neste particular, sinto falta do tecladinho analógico do Keyboard.

🔸🅺🔸 CONCLUSÃO:

Apesar dos defeitos apontados no final da lista acima, está bastante claro que o Kindle servirá a diversos tipos de leitor. Fica com QUATRO estrelas como um incentivo para que a Amazon aprimore o processador de textos das notas.

Publicada pela primeira vez em junho de 2020

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