Mas uma coisa é necessária a quem deseja conhecer a fundo a sua língua e utilizá-la para fins artísticos: pensar e sentir as palavras como se elas fossem feitas de novo, e evocar o objeto a que se referem com a maior frescura e vivacidade possível. (p.12)
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E é, afinal, a suprema razão de ser deste livro: o provar que, para além da rigidez convencional da Gramática, o povo e os artistas, em comunhão de esforços, num anseio de liberdade criadora, descobrem constantemente novos modos de expressão, não só pela invenção de novas palavras, mas mais ainda por uma sábia e genial adaptação do material existente. É nessa manipulação sutil de ingredientes já conhecidos que reside o segredo do estilo. (p.204)
Manuel Rodrigues Lapa, Estilística da Língua Portuguesa.
