E.H.: Quando estou trabalhando num livro ou num conto, escrevo todas as manhãs, tão cedo quanto possível, logo que alvorece. Não há ninguém para perturbar-nos, é fresco ou frio, e a gente se entrega ao trabalho e vai-se aquecendo à medida que escreve. Leio o que escrevo [escrevi] e, como sempre paro quando sei o que vai acontecer a seguir, parto do ponto em que parei [no dia anterior]. Escrevo até um ponto em que ainda disponho de “sumo” [juice] e sei o que acontecerá em seguida; então paro e procuro viver até o dia seguinte, quando me entrego de novo à coisa. Começa-se a trabalhar, digamos, às seis horas da manhã, e talvez se prossiga até o meio-dia, ou interrompa o trabalho antes. […]
[…] Entrevistador: Mas há ocasiões em que a inspiração não surge?
E.H.: Naturalmente. Mas se agente se deteve, sabendo o que aconteceria a seguir, pode continuar. Enquanto se pode começar, a coisa está sempre bem. O “sumo” surgirá.
– Ernest Hemingway, entrevista à Paris Review.
Em: Malcolm Gladwel (org.), Escritores em Ação. Rio de Janeiro: Paz e Terra. 1968.
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