“Meu pequeno Sim, não é isso. É quase isso, mas não é isso. Você é por demais literário. Nada de literatura! Corte toda a literatura e a coisa vai.” […]
Simenon jamais esquecerá a sugestão de Colette. A partir daquele dia em que ele recomeçou a escrever seus contos, até o fim de sua vida de romancista, cada vez que expulsava impiedosamente os advérbios de seus capítulos era como se escrevesse e corrigisse com a voz de Colette nos ouvidos.
“Procurei ser o mais simples possível. Esse foi o conselho que mais me serviu na vida. Devo acender uma vela a Colette por isso”, dirá.
– Pierre Assouline, Georges Simenon, uma biografia, p. 93
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Entrevistador: Que quer dizer “literário demais”? Que é que o senhor corta? Certas espécies de palavras?
Georges SIMENON: Adjetivos, advérbios, e todas as palavras que lá estão apenas para causar efeito. Sentenças que lá se encontram apenas como sentenças. Deparo, por exemplo, com uma bela frase: elimino-a. Cada vez que encontro tal coisa em uma de minhas novelas, corto-a.
– Entrevista à Paris Review. Em: Malcolm Gladwel (org.), Escritores em Ação, p.61
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