[Curtos] Concordância: “um e outro”, “um ou outro”, “nem um, nem outro”

Manuel Said Ali

▶ A [CONCORDÂNCIA NOMINAL]

>▪ As expressões um e outro, um ou outro, nem um nem outro servem de determinantes a substantivo que se usa no singular:

       ◽Procuramos alcançar uma e outra coisa;

       ◽Ele vai uma ou outra vez à cidade;

       ◽Nem um nem outro presente posso aceitar;

       ◽Em um ou outro prisioneiro notei sinais de sofrimento.

NOTA DO BLOG: em sua ‘Gramática Histórica’, o autor registra um único caso que contradiz tal regra: “Não erão bem despedidos de hum e outro Arcebispos, quando o convento se encheo de alto abayxo da melhor gente da villa” (Fr. Luís de Sousa: Vida do Arceb. 2, 174)

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B [CONCORDÂNCIA VERBAL]

>▪ Quando a locução um e outro, com substantivo no singular claro ou subentendido, serve de sujeito, o respectivo verbo, enunciado em seguida, usa-se ora no singular, ora no plural. É preferível no plural quando os seres a que se refere um e outro se nos representam no espírito como indivíduos ou entidades bem distintas:

       ◽Um e outro fizeram seus protestos e requerimentos (D. Couto);

       ◽Uma e outra cousa lhe desagrada (Bernardes);

       ◽De repente, um e outro desapareceram, como se a terra os houvera engolido (Herculano);

       ◽Uma e outra cousa duraram apenas um instante (Herculano);

       […]

       ◽Uma e outra Majestade aceitaram e receberam o novo e sobrenatural parentesco (Vieira).

NOTA DO BLOG: Na ‘Gramática Histórica’, Said Ali traz outros exemplos, além de explicitar peculiaridades do verbo “ser”, com o qual é mais comum o emprego do SINGULAR: “Huma e outra aprehensam foy vehemente: huma e outra imaginação foy causa” (Vieira, Sermões); — “Huma e outra doutrina he de Salomão” (Bernardes, Nova Floresta).

Contudo, se o intuito do autor é designar coisas diferentes, o PLURAL se impõe: “Supposto que huma e outra [Igreja] sejam a mesma na Fé, sacramento e dogmas” (Brnardes, Nova Floresta); “Hum e outro lugar eram os mais altos” (Vieira, Sermões) }}

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> ▪ Sendo enunciado o sujeito pela negativa nem um, nem outro, usa-se o verbo no singular:

       ◽Nem um nem outro falou a verdade (F. L. de Sousa)

       ◽Nem uma nem outra cousa é necessária (Bernardes).

(Fonte: Manuel Said Ali, Gramática Secundária. Editora UnB, 1964. p.154)

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